Será que a pílula anticoncepcional causa abortos? Um resumo.

anticoncepcional“Pílula” é o termo popular para mais de quarenta contraceptivos orais diferentes disponíveis no mercado. Na medicina são comumente referidas como BCPs (Birth Control Pills – Pílulas Anticoncepcionais) ou COs (Contraceptivos Orais). Também são chamadas de “pílulas combinadas”, porque contêm uma combinação de estrogênio e progesterona.

A pílula é usada por cerca de quatorze milhões de mulheres americanas a cada ano. Em todo o mundo ela é usada por cerca de sessenta milhões. A questão de saber se ela provoca abortos tem relação direta com milhões de cristãos desinformados, muitos deles pró-vida, que a usam e recomendam.

Em 1991, enquanto pesquisava para a edição original do meu livro, ProLife Answers to ProChoice Arguments (Respostas Pró-Vida para Argumentos Pró-Escolha), ouvi alguém sugerindo que pílulas anticoncepcionais podem causar abortos. Isso era novo para mim, em todos os meus anos como um pastor e um pró-vida eu nunca tinha ouvido isso antes. Naquele momento eu estava cético.

Meus interesses pessoais eram fortes porque Nanci e eu usamos a pílula nos primeiros anos do nosso casamento, assim como muitos de nossos amigos pró-vida. Por que não? Acreditávamos que simplesmente impedia a concepção. Nós nunca suspeitamos que isso tivesse algum potencial para abortar. Ninguém nos disse nem que isso era uma possibilidade. Eu confesso que nunca li as letras miúdas da bula da pílula, nem tenho certeza de que eu teria entendido mesmo se eu tivesse lido.

Em 14 anos como pastor eu fiz uma quantidade considerável de aconselhamentos pré-nupciais, sempre adverti casais contra o DIU porque eu tinha lido que poderia causar abortos precoces. Eu tipicamente recomendava aos jovens casais a usar a pílula por causa de sua relativa facilidade e eficácia.

Na época que eu estava pesquisando para o ProLife Answers, encontrei uma única pessoa que poderia me apontar na direção de qualquer documentação que ligava a pílula ao aborto. Ela disse-me apenas de uma fonte primária que dava suporte a esta crença e eu encontrei apenas uma outra. Ainda assim, estas duas fontes eram suficientes para obrigar-me a incluir este aviso no livro:

“Algumas formas de contracepção, especificamente o dispositivo intrauterino (DIU), Norplant, e certos contraceptivos orais de baixa dosagem muitas vezes não evitam a concepção, mas impedem a implantação de um óvulo já fertilizado. O resultado é um aborto precoce, o assassinato de um indivíduo já concebido. Tragicamente, muitas das mulheres não são avisadas disso por seus médicos, e, portanto, não fazem uma escolha informada sobre qual contraceptivo usar.” [1]

Como se vê, eu cometi uma erro crítico. Na época, eu acreditava incorretamente que pílulas contraceptivas de baixa dosagem eram a exceção, não a regra. Eu pensava que a maioria das pessoas que tomavam a pílula não tinham perigo algum de ter abortos. O que eu encontrei numa investigação mais recente é que desde 1988 virtualmente todos os contraceptivos orais usados na América do Norte são de baixa dosagem, isto é, contêm níveis muito mais baixos de estrogênio do que as primeiras pílulas anticoncepcionais.

A quantidade padrão de estrogênio em pílulas anticoncepcionais da década de 1960 e início dos anos 70 era de 150 microgramas.

Depois da pílula estar no mercado por 15 anos, muitos efeitos colaterais negativos graves do estrogênio tinham sido claramente comprovados. Estes incluíam visão turva, náusea, cólicas, sangramento menstrual irregular, dores de cabeça, aumento da incidência de câncer de mama, derrames e ataques cardíacos, alguns dos quais foram fatais. [2]

Em resposta a estas preocupações, começando em meados dos anos 70, os fabricantes de pílula diminuíram de forma constante o teor de estrogênio e progesterona em seus produtos. A dosagem média de estrogênio na pílula declinou de 150 microgramas em 1960 para 35 microgramas em 1988. Estes fatos estão diretamente declarados em uma propaganda da Association of Reproductive Health Professionals (Associação dos Profissionais da Saúde Reprodutiva) e Ortho Pharmaceutical Corporation na revista Hippocrates. [3]

O Pharmacists for Life (Farmacêuticos pela Vida) confirma: “Em de outubro de 1988, as novas pílulas contraceptivas de baixa dosagem são o único tipo disponível nos EUA, por um acordo mútuo do Food and Drug Administration e os três os principais fabricantes de pílula.” [4]

O que agora é considerada uma “alta dose” de estrogênio é 50 microgramas, o que é de fato uma dose muito baixa em comparação com os 150 microgramas que foi o padrão para a pílula. As pílulas de baixa dosagem de hoje são em sua maioria de 20-35 microgramas. Até onde eu posso dizer, não há pílulas anticoncepcionais disponíveis hoje que tenham mais do que 50 microgramas de estrogênio. Uma médica escreveu para me informar que ela tinha pesquisado muitas pílulas pelo nome e poderia confirmar minhas descobertas. Se tais pílulas realmente existirem, certamente elas são raras.

Eu não estava errado apenas em pensar que contraceptivos de baixa dosagem eram a exceção ao invés da regra, como não percebi que havia considerável informação médica documentada ligando pílulas anticoncepcionais e aborto. A evidência estava lá, eu simplesmente não sondei profundamente o suficiente para encontrá-la. Ainda assim mais evidências vieram à tona nos anos subsequentes. Eu tenho apresentado esta evidência em detalhe na página 115 do meu livro Does the Birth Control Pill Cause Abortions (Será que a pílula anticoncepcional causa aborto?). Eu irei agora resumir essa pesquisa.

O Physician’s Desk Reference (PDR)

O Physician’s Desk Reference (Referência Médica de Mesa) é o livro de referência mais frequentemente usado por médicos na América do Norte. O PDR, como ele é muitas vezes chamado, lista e explica os efeitos, benefícios e riscos de cada produto médico que pode ser prescrito legalmente. O Food and Drug Administration requer que cada fabricante forneça informações precisas de seus produtos com base em pesquisa científica e testes de laboratório.

À medida que você ler o que segue, tenha em mente que o termo “implantação”, por definição, sempre envolve um ser humano já concebido. Portanto, qualquer agente que sirva para evitar a implantação tem a função de um abortivo.

Esta é a informação de produto do PDR para o Ortho-Cept, listado como Ortho, um dos maiores fabricantes de pílula:

Contraceptivos orais combinados agem pela supressão das gonadotrofinas. Embora o mecanismo primário desta ação seja a inibição da ovulação, outras alterações incluem mudanças no muco do colo do útero, as quais aumentam a dificuldade do espermatozoide entrar no útero, e mudanças no endométrio que reduzem a probabilidade de implantação. [5]

As informações de pesquisa requeridas pelo FDA para as pílulas anticoncepcionais Ortho-Cyclen e Ortho Tri-Cyclen também atestam que elas causam “mudanças no… endométrio (os quais reduzem a probabilidade de implantação).” [6]

Observe que essas mudanças no endométrio e sua redução da probabilidade de implantação não são afirmadas pelo fabricante como efeitos especulativos ou teóricos, mas como efeitos reais. Eles consideram isto um fato bem estabelecido que não requer nenhuma declaração de qualificação.

Da mesma forma, como eu documento em meu livro, Syntex e Wyeth, os outros dois principais fabricantes de pílula dizem essencialmente a mesma coisa sobre seus contraceptivos orais.

As bulas embaladas com pílulas anticoncepcionais são versões condensadas de trabalhos de pesquisa mais longos que detalham os efeitos, mecanismos e riscos da pílula. Perto do fim, a bula tipicamente diz algo como o seguinte, que foi tirado diretamente da bula da pílula Desogen:

Se você quiser obter mais informações sobre pílulas anticoncepcionais, pergunte ao seu médico, clínica ou farmacêutico. Eles têm um folheto mais técnico chamado The Professional Labeling (A Bula Profissional), o qual você pode desejar ler. O Professional Labeling também é publicado em um livro intitulado Physician‘s Desk Reference, disponível em muitas livrarias e bibliotecas públicas.

Da meia dúzia de bulas de pílulas anticoncepcionais que eu li, apenas uma incluía informações sobre o mecanismo abortivo da pílula. Esta bula estava em um pacote datado de 12 de julho de 1994, encontrado no anticoncepcional oral Demulen, fabricado por Searle. Ainda que este mecanismo abortivo seja referido em todos os casos no Professional Labeling do fabricante exigido pelo FDA, conforme documentado no Physician‘s Desk Reference.

Em resumo, de acordo com múltiplas referências em todo o Physician‘s Desk Reference, que articula os resultados da investigação de todos os fabricantes de pílula anticoncepcional, não há apenas um, mas três mecanismos de funcionamento das pílulas anticoncepcionais:

1. Inibindo a ovulação (o mecanismo primário);

2. Engrossando o muco do colo do útero, tornando desse modo, mais difícil para o esperma viajar para até o ovo; e

3. Afinando e secando o revestimento do útero a ponto de ser incapaz ou menos capaz de facilitar o implante do ovo recém-fertilizado.

Os dois primeiros mecanismos são contraceptivos. O terceiro é abortivo.

Quando uma mulher que está tomando a pílula descobre que está grávida (de acordo com tabelas de taxa de eficácia do Physician‘s Desk Reference, são 3 por cento das usuárias de pílula por ano), significa que todos os três mecanismos falharam. O terceiro mecanismo de controle às vezes falha no seu papel de backup, simplesmente como o primeiro e segundo mecanismos, às vezes, falham. Todas as vezes que o terceiro mecanismo de controle for bem-sucedido, no entanto, ele causa um aborto.

Periódicos médicos e livros didáticos

Em um artigo da revista científica Contraception (Contracepção), os doutores Chowdhury, Joshi e associados declaram: “Os dados sugerem que, embora esquecimentos das pílulas combinadas de baixa dosagem possam resultar em um ‘escape’ de ovulação em algumas mulheres, no entanto, os efeitos farmacológicos das pílulas sobre o endométrio e muco cervical podem continuar a proporcioná-las proteção contraceptiva.” [7]

Note que em algumas citações “contraceptivo” é usado para se referir a um agente que impede o implante de uma criança já concebida. Aqueles que acreditam que cada vida humana começa no momento da concepção deveriam ver esta função não como contraceptiva, mas abortiva.

Endocrinologistas reprodutivos têm demonstrado que as mudanças induzidas pela pílula fazem o endométrio parecer “hostil” ou “pobremente receptivo” para a implantação. [8] Imagens de ressonância magnética revelam que o forro do endométrio das usuárias de pílula é consistentemente mais fino do que das não usuárias [9] – até 58 por cento mais fino. [10] Estudos recentes e bastante sofisticados de ultrassom [11] concluem que a espessura endometrial está relacionada com a “receptividade funcional” do endométrio. Outros têm mostrado que, quando o forro do útero se torna demasiadamente fino, o implante da criança pré-concebida (chamada de blastocisto ou pré-embrião neste estágio) não ocorre [12].

Implantação do óvulo no endométrioA espessura endometrial mínima necessária para manter uma gravidez varia de 5 a 13 mm [13], ao passo que a espessura média endometrial em mulheres que usam a pílula é de apenas 1,1 mm [14]. Estes dados dão credibilidade para a declaração aprovada pelo FDA que “mudanças no endométrio reduzem a probabilidade de implantação.” [15]

A drª. Kristine Severyn diz:

O terceiro efeito dos contraceptivos orais combinados é alterar o endométrio de tal forma que o implante do ovo fertilizado (uma nova vida) é tornado mais difícil, se não, impossível. Com efeito, o endométrio torna-se atrofiado e incapaz de suportar o implante do ovo fertilizado… As modificações do endométrio o tornam hostil ao implante do ovo fertilizado, proporcionando um método abortivo adicional para prevenir a gravidez. [16]

Pesquisadores tem, repetida e consistentemente, destacado este efeito abortivo da pílula. Até o momento não existem estudos publicados refutando esses achados.

O Dr. Walter Larimore é um professor clínico de medicina da família que tem escrito mais de 150 artigos médicos em uma ampla variedade de revistas. Em dois grandes artigos de periódicos médicos, ele abordou a questão da capacidade da pílula causar abortos precoces [17]. Em 2000, Dr. Larimore e eu fomos coautores de um capítulo sobre este assunto em The Reproduction Revolution: A Christian Appraisal of Sexuality, Reproductive Technologies and the Family (A Revolução da Reprodução: Uma Avaliação Cristã da Sexualidade, Tecnologias Reprodutivas e a Família) [18]. No mesmo capítulo, quatro médicos cristãos apresentam sua crença de que a pílula não resulta em abortos precoces. Nós respeitosamente sugerimos que o caso deles não é baseado solidamente na evidência médica. (Em Fevereiro de 2001, o Dr. Larimore foi trazido para a equipe do Focus on the Family (Foco na Família), como um comentarista e “um embaixador ao público em ética, procedimentos e práticas médicas.”)

O que isso significa?

Conforme o ciclo menstrual de uma mulher progride, seu endométrio se torna gradualmente mais rico e mais espesso em preparação para a chegada e implantação de qualquer criança recém-concebida. Em um ciclo natural, sem ser impedido pela pílula, o endométrio experimenta um aumento dos vasos sanguíneos, o qual permite que um maior suprimento de sangue traga oxigênio e nutrientes para a criança. Há também um aumento do estoque de glicogênio no endométrio, um açúcar que serve como uma fonte de alimento para o blastocisto (criança) tão breve ela seja implantada.

A pílula evita que o corpo da mulher crie um ambiente mais hospitaleiro para a criança, resultando, ao invés disso, em um endométrio que é deficiente tanto em alimento (glicogênio) quanto em oxigênio. A criança pode morrer porque ela carece desta nutrição e de oxigênio.

Tipicamente, a nova pessoa tenta se implantar seis dias após a concepção. Se a implantação não for bem sucedida, a criança é lavada para fora do útero em um aborto. Quando o aborto é o resultado de um ambiente criado por um dispositivo externo ou produto químico, isto é de fato um aborto. Isso é verdadeiro mesmo se a mãe não tem a intenção e não está ciente do acontecimento.

Apesar de toda pesquisa, incluindo muito mais que é apresentado em meu livreto completo, existem aqueles que insistem que esta argumentação está incorreta e não deve ser considerada de valor por aqueles preocupados com abortos precoces. No caso dos fabricantes de pílulas, aqueles que dizem que suas declarações aprovadas pelo FDA são falsas, deveriam, em minha opinião, convencer o FDA a mudar suas declarações e não simplesmente pedir às pessoas para desconsiderá-las.

Confirmando a evidência

Quando a pílula afina o endométrio, parece evidente que um zigoto tentando se implantar tem uma probabilidade menor de sobrevivência. Uma mulher que toma a pílula coloca qualquer criança concebida em maior risco de aborto do que se a pílula não estivesse sendo tomada.

Alguns argumentam que esta evidência é indireta e teórica. Mas nós devemos perguntar, se esta é uma teoria, o quão forte e acreditável é a teoria? Se a evidência é apenas indireta, quão convincente é essa evidência indireta? Outrora era apenas teoria que a vida vegetal cresce melhor em solo rico e fértil do que em um solo fino e erodido. Mas era uma teoria em que certamente bons agricultores acreditavam e agiam de acordo com ela.

Alguns médicos têm teorizado que quando a ovulação ocorre em usuárias de pílulas, a produção de hormônio subsequente “liga” o endométrio, fazendo com que se torne receptivo à implantação. [19] No entanto, não há nenhuma evidência direta para apoiar esta teoria e há ao menos algumas provas contra ela. Em primeiro lugar, depois que uma mulher para de tomar a pílula, normalmente leva vários ciclos para seu fluxo menstrual aumentar até o volume de mulheres que não estão tomando pílula. Isto sugere para os pesquisadores mais objetivos que o endométrio é lento para se recuperar do afinamento induzido pela pílula. [20] Em segundo lugar, o único estudo que observou mulheres que ovularam tomando a pílula mostrou que após a ovulação o endométrio não é receptivo à implantação. [21]

Argumentos Contra a Pílula Causar Aborto

Eu tenho recebido uma série de cartas de leitores, um deles um médico, que diz algo assim: “Minha irmã ficou grávida enquanto estava tomando pílula. Isso prova que vocês estão errados ao dizer que a pílula causa abortos – obviamente ela não poderia ter causado,  já que ela teve o bebê!”

Sem dúvida, os efeitos da pílula sobre o endométrio nem sempre tornam a implantação impossível. Eu nunca ouvi ninguém alegar que ela o faça. Para ser um abortivo não é necessário que algo sempre cause um aborto, apenas que faça algumas vezes.

Quer se trate de RU-486, Norplant, Depo-Provera, a pílula do dia seguinte, a mini-pílula ou pílula, não há nenhum produto químico que sempre cause um aborto. Há apenas os que nunca causam, que causam às vezes, muitas vezes e geralmente.

Crianças que brincam na rodovia, escalam o telhado ou são deixadas sozinhas nadando em piscinas nem sempre morrem, mas isto não prova que essas práticas sejam seguras e nunca resultem em fatalidades. Nós veríamos imediatamente esta inconsistência em qualquer pessoa que argumentasse em favor de deixar as crianças sozinhas nadando em piscinas porque elas sabem de casos em que isto foi feito sem danos para as crianças. O ponto de que a pílula nem sempre impede a implantação é certamente verdade, mas não tem relação com a questão de que algumas vezes ela impede a implantação, o que os dados sugerem claramente.

As pessoas também argumentam frequentemente: “O blastocisto é perfeitamente capaz de se implantar em vários lugares ‘hostis’, por exemplo, nas trompas de Falópio, no ovário e no peritônio”.

O argumento delas é que a criança, por vezes, se implanta no lugar errado. Isto é inegavelmente verdadeiro. Mas, novamente, a única questão relevante é saber se a pílula algumas vezes inibe a capacidade da criança de se implantar no lugar certo.

Imagine um agricultor que tem dois lugares onde que ele poderia semear. Um deles é um solo marrom e rico que foi lavrado, fertilizado e regado. O outro é um solo duro, ralo, seco e rochoso. Se o agricultor quer que tantas sementes quanto for possível vinguem e cresçam, onde ele vai plantar a semente? A resposta é óbvia – no chão fértil.

Agora, você poderia dizer para o agricultor que a sua preferência pelo solo lavrado, rico e úmido é baseado em pressupostos teóricos, porque ele provavelmente nunca viu um estudo científico que prove que este solo é mais hospitaleiro para semente do que o solo ralo, duro e seco. Provavelmente tal estudo nunca foi feito. Em outras palavras, não há nenhuma prova absoluta.

Mas o agricultor provavelmente responderia, baseado em anos de observação: “Eu reconheço um bom solo quando vejo um. Claro, eu já vi algumas plantas crescerem em um solo duro e ralo também, mas as chances de sobrevivência são muito menores lá do que em um bom solo. Chame isso de teórico se você quiser, mas todos nós sabemos que é verdade!”

Algumas crianças recém-concebidas conseguem sobreviver temporariamente em lugares hostis. Mas de nenhuma forma isso muda o fato óbvio de que muito mais crianças sobreviverão em um endométrio mais rico, mais espesso e mais hospitaleiro do que em um mais fino, mais inóspito.

(Em outras publicações, e de uma forma muito mais detalhada, nós temos discutido estas e outras linhas de evidência com centenas de citações de muitos estudos científicos, bem como pesquisadores e especialistas em numerosos campos. Nós incentivamos os leitores interessados a olhar mais profundamente esses estudos e argumentos. [22])

Apesar desta evidência, alguns médicos pró-vida afirmam que a probabilidade da pílula ter um efeito abortivo é “infinitesimamente baixa, ou inexistente.” [23] Embora eu quisesse muito acreditar nisto, a evidência científica não me permite fazê-lo.

O Dr. Walt Larimore me disse que sempre que tem apresentado esta evidência para audiências de médicos seculares, tem havido pouca ou nenhuma resistência a ela. Mas quando ele tem apresentado para médicos cristãos, tem tido resistência substancial. Uma vez que os médicos seculares não se importam se a pílula impede a implantação, eles tendem a ser objetivos na interpretação da evidência. Afinal de contas, eles têm pouco ou nada em jogo de uma forma ou de outra. Muitos médicos cristãos, no entanto, não querem acreditar que a pílula cause abortos precoces. Portanto, eu acredito, eles tendem a resistir à evidência. Isto é certamente compreensível. No entanto, nós não devemos permitir que o que nós queremos acreditar nos distraia do que a evidência nos indica que deveríamos acreditar.

Eu mencionei meus próprios interesses pessoais na pílula que a princípio me fizeram resistir às evidências sugerindo que ela poderia causar abortos. O Dr. Larimore veio para esta questão com ainda maiores interesses pessoais em acreditar no melhor sobre a pílula anticoncepcional, depois de tê-la prescrito por anos. Quando ele pesquisou isso intensivamente ao longo de um período de dezoito meses, em que ele descreveu para mim como um processo “extremamente doloroso”, que envolveu noites sem dormir, ele chegou à conclusão de que, em boa consciência, não poderia mais prescrever contraceptivos hormonais, incluindo a pílula, a minipílula, Depo-Provera e Norplant.

Conclusão

A pílula é usada por cerca de quatorze milhões de mulheres americanas a cada ano e sessenta milhões de mulheres internacionalmente. Assim, mesmo uma porção infinitesimamente baixa (digamos, um centésimo de um por cento) de 780 milhões de ciclos de pílula por ano, globalmente, poderia representar dezenas de milhares de crianças não nascidas perdidas para esta forma de aborto químico anualmente. Quantas vidas jovens terão que ser prejudicadas para crentes pró-vida questionarem a ética do uso da pílula? Esta é uma questão com profundas implicações morais para aqueles que creem que somos chamados para proteger as vidas das crianças.

Este artigo é uma versão muito resumida do que aparece no Apêndice E do livro de Randy Alcorn, ProLife Answers to ProChoice Arguments (Respostas Pró-Vida para Argumentos Pró-Escolha) e foi reimpresso com permissão. Enquanto o argumento básico é declarado aqui, muito da evidência documentada tem sido deixado de fora devido a restrições de espaço. Um tratamento ainda mais minucioso (com 139 notas de rodapé) deste assunto pode ser encontrado na página 197 do livro de Randy Alcorn, Does the Birth Control Pill Cause Abortions? (Será que a pílula anticoncepcional causa abortos?).

[1] Randy Alcorn, Prolife Answers to ProChoice Arguments (Multnomah Publishers: Sisters, OR: 1992, 1994) 118.

[2] Nine Van der Vange, “Ovarian Activity During Low Dose Oral Contraceptives,” published in Contemporary Obstetrics and Gynecology, edited by G. Chamberlain (London: Butterworths, 1988), 315-16.

[3] Hippocrates, May/June 1988, 35.

[4] Oral Contraceptives and IUDs: Birth Control or Abortifacients?, Pharmacists for Life, November 1989, 1.

[5] Physicians’ Desk Reference (Montvale, NJ: Medical Economics, 1998).

[6] The PDR, 1995, page 1782.

[7] “Escape Ovulation In Women Due To The Missing Of Low Dose Combination Oral Contraceptive Pills,” Contraception, September 1980; 241.

[8] Abdalla HI, Brooks AA, Johnson MR, Kirkland A, Thomas A, Studd JW. “Endometrial Thickness: A Predictor Of Implantation In Ovum Recipients?” Human Reprod 1994;9:363-365.

[9] Bartoli JM, Moulin G, Delannoy L, Chagnaud C, Kasbarian M. “The Normal Uterus On Magnetic Resonance Imaging And Variations Associated With The Hormonal State.” Surg Radiol Anat 1991;13:213-20; Demas BE, Hricak H, Jaffe RB. “Uterine MR Imaging: Effects Of Hormonal Stimulation.” Radiology 1986;159:123-6; McCarthy S, Tauber C, Gore J. “Female Pelvic Anatomy: MR Assessment Of Variations During The Menstrual Cycle And With Use Of Oral Contraceptives.” Radiology 1986; 160: 119-23.

[10] Brown HK, Stoll BS, Nicosia SV, Fiorica JV, Hambley PS, Clarke LP, Silbiger ML. “Uterine Junctional Zone: Correlation Between Histologic Findings And MR Imaging.” Radiology 1991;179:409-413.

[11] Abdalla, et al., “Endometrial thickness”; Dickey RP, Olar TT, Taylor SN, Curole DN, Matulich EM. “Relationship Of Endometrial Thickness And Pattern To Fecundity In Ovulation Induction Cycles: Effect Of Clomiphene Citrate Alone And With Human Menopausal Gonadotropin.” Fertil Steril 1993;59:756-60; Gonen Y, Casper RF, Jacobson W, Blankier J. “Endometrial Thickness And Growth During Ovarian Stimulation: A Possible Predictor Of Implantation In In-Vitro Fertilization.” Fertil Steril 1989;52:446-50; Schwartz LB, Chiu AS, Courtney M, Krey L, Schmidt-Sarosi C. “The Embryo Versus Endometrium Controversy Revisited As It Relates To Predicting Pregnancy Outcome In In-Vitro Fertilization-Embryo Transfer Cycles.” Hum Reprod 1997;12:45-50; Shoham Z, et al. “Is It Possible To Run A Successful Ovulation Induction Program Based Solely On Ultrasound Monitoring: The Importance Of Endometrial Measurements.” Fertil Steril 1991;56:836-841; Noyes N, Liu HC, Sultan K, Schattman G, Rosenwaks Z. “Endometrial Thickness Appears To Be A Significant Factor In Embryo Implantation In In-Vitro Fertilization.” Hum Reprod 1995;10:919-22; Vera JA, Arguello B, Crisosto CA. “Predictive Value Of Endometrial Pattern And Thickness In The Result Of In Vitro Fertilization And Embryo Transfer.” Rev Chil Obstet Gynecol 1995;60:195-8; Check JH, Nowroozi K, Choe J, Lurie D, Dietterich C. “The Effect Of Endometrial Thickness And Echo Pattern On In Vitro Fertilization Outcome In Donor Oocyte-Embryo Transfer Cycle.” Fertil Steril 1993;59:72-5; Oliveira JB, Baruffi RL, Mauri AL, Petersen CG, Borges MC, Franco JG Jr. “Endometrial Ultrasonography As A Predictor Of Pregnancy In An In-Vitro Fertilization Programme After Ovarian Stimulation And Gonadotrophin-Releasing Hormone And Gonadotrophins.” Hum Reprod 1997;12:2515-8; Bergh C, Hillensjo T, Nilsson L. “Sonographic Evaluation Of The Endometrium In In-Vitro Fertilization IVF Cycles. A Way To Predict Pregnancy?” Acta Obstet Gynecol Scand 1992;71:624-8.

[12] Abdalla HI, et al., “Endometrial thickness”; Dickey, et al., “Relationship Of Endometrial Thickness”; Gonen, et al., “Endometrial Thickness And Growth”; Oliveira, et al., “Endometrial Ultrasonography As A Predictor”; Bergh, et al., “Sonographic Evaluation Of The Endometrium”.

[13] The 5mm figure is from Glissant, A, de Mouzon, J, Frydman R. “Ultrasound Study Of The Endometrium During In Vitro Fertilization Cycles.” Fertil Steril 1985;44:786-90. The 13mm figure is from Rabinowitz R, Laufer N, Lewin A, Navot D, Bar I, Margalioth EJ, Schenker JJ. “The value of ultrasonographic endometrial measurement in the prediction of pregnancy following in vitro fertilization.” Fertil Steril 1986;45:824-8

[14] McCarthy, et al., “Female Pelvic Anatomy”.

[15] Physicians’ Desk Reference; Kastrup, Drug Facts.

[16] Kristine Severyn, “Abortifacient Drugs and Devices: Medical and Moral Dilemmas” Linacre Quarterly, August 1990, 55.

[17] Walter L. Larimore and Joseph Stanford, “Postfertilization Effects of Oral Contraceptives and their Relation to Informed Consent.” Archives of Family Medicine 9 (February, 2000); Walter L. Larimore, “The Abortifacient Effect of the Birth Control Pill and the Principle of Double Effect,” Ethics and Medicine, January 2000.

[18] Walter L. Larimore and Randy Alcorn, “Using the Birth Control Pill is Ethically Unacceptable,” in John F. Kilner, Paige C. Cunningham and W. David Hager (eds), The Reproduction Revolution (Grand Rapids, MI: W.B. Eerdmans, 2000), 179-191.

[19] Susan Crockett, Joseph L. DeCook, Donna Harrison, and Camilla Hersh, “Using Hormone Contraceptives Is a Decision Involving Science, Scripture, and Conscience,” in John F. Kilner, Paige C. Cunningham and W. David Hager (eds), The Reproduction Revolution (Grand Rapids, MI: W.B. Eerdmans, 2000), 192-201.

[20] Stanford JB, Daly KD. “Menstrual And Mucus Cycle Characteristics In Women Discontinuing Oral Contraceptives (Abstract).” Paediatr Perinat Epidemiol 1995;9(4): A9.

[21] Chowdhury V, Joshi UM, Gopalkrishna K, Betrabet S, Mehta S, Saxena BN. “‘Escape’ Ovulation In Women Due To The Missing Of Low Dose Combination Oral Contraceptive Pills.” Contraception 1980;22(3):241-7.

[22] Alcorn, “Does The Birth Control Pill Cause Abortions?”; Larimore WL, Stanford JB. “Postfertilization Effects Of Oral Contraceptives And Their Relation To Informed Consent.” Larimore WL. “The Growing Debate about the Abortifacient Effect of the Birth Control Pill and the Principle of the Double Effect.” Ethics and Medicine: in review.

[23] DeCook JL, McIlhaney J, et al. Hormonal Contraceptives: Are they Abortifacients? (Sparta, MI: Frontlines Publishing, 1998).

Original: http://www.epm.org/resources/2010/Feb/17/short-condensation-does-birth-control-pill-cause-a/

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